sábado, 25 de agosto de 2012


Obesidade, o Mal do Século *
Dr. Alfredo Halpern
 
 
Trazemos nesse post um artigo do Dr . Alfredo Halpern, um dos maiores especialistas brasileiros em Obesidade (apesar deste post não ser de autoria da blogueira, considero que o assunto é importante demais e nada como ler a opinião de um especialista. No final, está o endereço para correspondencia do Dr. Halpern). 
 
O que é obesidade?

Obesidade significa excesso de gordura no organismo.

A medida exata de gordura é de muito difícil obtenção, mas alguns índices podem avaliar de uma maneira relativamente correta a quantidade de gordura do corpo.

O índice mais utilizado é chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso do indivíduo (em Kg) pela altura ao quadrado (ou altura x altura) em metros. Obtém-se assim um número seguido de Kg/m2 que deve ser interpretado da seguinte maneira:

menor que 18 Kg/m2 = subnutrido

de 18 a 26 Kg/m2 = normal

de 26 a 30 Kg/m2 = pesado

acima de 30 Kg/m2 = obeso

Indivíduos com valores de IMC superiores a 40 Kg/m2 são chamados de obesos mórbidos (devido à grande morbidez, isto é, doenças graves relacionadas com este grau de obesidade).

Quais são as causas da obesidade?

A obesidade é causada por um desbalanço, entre as calorias que são consumidas sob a forma de alimentos e as calorias que são gastas pelo indivíduo para o organismo funcionar, mesmo em repouso, realizar as atividades física e digerir os alimentos consumidos.

O excesso de calorias (resultante de um balanço positivo entre o que é consumido e o que é gasto) é depositado no organismo. Boa parte desse depósito se faz sob a forma de gordura e quanto mais se deposita mais obeso é o indivíduo.

Dessa maneira, a pessoa pode ser obesa porque:

come exageradamente e/ou

gasta poucas calorias e/ou

tem mais facilidade de produzir gordura quando o balanço calórico é positivo e/ou

"queima" gorduras com menor facilidade.

Quais são os fatores de risco da doença?

São propensos à obesidade aqueles indivíduos que apresentam uma tendência genética a ser obesos - e isto é bastante freqüente - ou quando, mesmo sem tendência genética, exageram na quantidade de alimentos ingeridos (particularmente os alimentos gordurosos) ou levam uma vida muita sedentária.

Quais os tipos de obesidade?

 

Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa deposição de gordura é variável de pessoa para pessoa.

A grosso modo, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura:

na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de obesidade ginóide (porque acomete mais as mulheres) ou obesidade em pêra (pela forma) ou obesidade subcutânea; e

no abdômen, profundamente entre as vísceras, é chamada de obesidade andróide (porque acomete mais os homens) ou obesidade em maçã (pela forma) ou obesidade visceral.

Naturalmente há grandes variações entre este dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade.

Quais as conseqüências da obesidade se não houver tratamento?

Se o indivíduo com obesidade não se tratar, ele tende a engordar cada vez mais.

Como obesidade é fator de risco indiscutível para várias doenças - só para citar exemplos: diabetes mellitus, hipertensão arterial, alteração nos níveis de triglicérides e colesterol, infarto do miocárdio, derrame cerebral, tromboses, problemas ortopédicos e dermatológicos etc. - a manutenção da obesidade ou o seu agravamento, faz com que o indivíduo se torne cada vez mais suscetível a doenças graves e morte precoce.

Obesidade é hoje considerada doença crônica com prognóstico de qualidade de vida comprometida por vezes seriamente e, portanto, deve ser tratada.

Quais as chances dos filhos de indivíduos obesos apresentarem a doença?

A obesidade tende a se agregar nas famílias. A chance de obesidade nos filhos é de 80% quando ambos os pais são obesos, cerca de 50% quando um dos pais é obeso, e cerca de 10% quando nenhum dos pais é obeso.

Essa tendência à obesidade em família é explicável por dois fatores: genético (hoje em dia bem reconhecido) e ambiental, que em muitos casos predomina, e que significa maus hábitos de vida, particularmente alimentação inadequada e atividade física discreta.

Quais as formas clínicas de obesidade?

Existem vários tipos de obesidade, com várias causas e vários quadros clínicos. Podemos encontrar desde indivíduos obesos sem nenhuma alteração clínica (isto é, sem pressão alta, sem distúrbios em triglicérides ou colesterol, sem diabetes, sem problemas ortopédicos) até indivíduos com quadro clínico bastante grave.

A abordagem terapêutica deve levar em conta o tipo de obesidade e sua gravidade.

A obesidade atinge com maior freqüência algum grupo específico de pessoas?

 

O número de obesos vem crescendo de uma maneira espantosa. A prevalência da obesidade vária de país para país mas, com pouquíssima exceções, em todas as regiões onde há possibilidade de obter comida com facilidade, há um nítido aumento na prevalência da obesidade.

 

No Brasil, 40% dos adultos apresentam excesso de peso (IMC maior que 25Kg/m2) e hoje quase não há diferença entre os indivíduos que vivem na cidade ou os que vivem no campo.

A prevalência de obesidade é maior nas classes sociais mais favorecidas e é nela que se observa o maior aumento no número de casos. Se analisarmos só indivíduos com IMC maior que 30 Kg/m2 observamos predomínio de obesidade nas mulheres (cerca de 15%). Nos homens a porcentagem está em torno de 8%.

Obesidade

Prof. Dr. Alfredo Halpern

 

Tratamento

Como é o tratamento?

Como é feito o tratamento medicamentoso?

Quais os tipos de tratamento cirúrgico?

Como prevenir?

Como é o tratamento?

O tratamento básico da obesidade apóia-se na modificação do comportamento alimentar e no incremento da atividade física.

 

A alimentação diária deve variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com seus costumes, gostos e estilo de vida. Entretanto, alguns princípios devem reger o cardápio diário: a restrição às gorduras, que não devem ultrapassar 30% do total calórico diário, a preferência por verduras, legumes, frutas e carboidratos complexos (arroz, macarrão, pão, farinha, etc.).

 

Recomenda-se ingerir alimentos ricos em fibras como pão integral, arroz integral etc. Evidentemente que para obter uma perda de peso, deve-se ingerir menos calorias do que as calorias gastas.

 

A prática de uma atividade física não precisa ser na academia de ginástica ou a prática de um esporte específico. Pode ser apenas uma maior atividade no dia-a-dia, como movimentar-se mais, não ficar muito tempo parado na frente da T.V. ou do computador, etc.

Para que o obeso coma com mais disciplina e mantenha-se ativo fisicamente, muitas vezes, é necessário que ele se submeta a um tratamento comportamental.

Como é feito o tratamento medicamentoso?

Como a obesidade é uma doença crônica e muitas vezes o tratamento clássico com planejamento alimentar e incentivo à atividade física não funciona, temos de administrar medicamentos que auxiliam a perda de peso e a manutenção do peso atingido. Existem vários tipos de medicamentos para o tratamento da obesidade com objetivos distintos:

diminuir a fome;

aumentar a saciedade;

aumentar a queima de calorias;

diminuir a absorção de gorduras.

A escolha de um ou de outro remédio depende de cada paciente, do seu grau de obesidade, do seu hábito alimentar, das complicações que tem etc., e deve ser feita pelo médico.

 

Nunca se deve tomar remédio porque alguém (não médico) aconselhou e não se deve confiar em quem (médico ou não) dê fórmulas com muitos componentes ou que venda seus próprios remédios.

 

Quais os tipos de tratamento cirúrgico?

Por vezes, nos casos muito graves de obesidade (IMC superior a 40 Kg/m2) é necessária a intervenção cirúrgica.

Existem várias técnicas cirúrgicas, cada qual com um objetivo específico.

A mais simples é realizada por laparoscopia (são feitos pequenos orifícios na parede abdominal por onde são introduzidas "mãos mecânicas", manipuladas pelo cirurgião) e tem por objetivo colocar uma banda em volta do estômago para controlar o diâmetro do orifício de passagem do alimento, ajustada por um dispositivo colocado embaixo da pele. Nessa técnica, a perda de peso é de 10 a 20% do peso inicial.

A cirurgia maior é feita com a abertura da pele ou por laparoscopia (dependente entre outras coisas do grau de obesidade). Nessa técnica, a maior parte do estômago é cortada, deixando uma pequena parte que se une à porção do intestino delgado chamado de jejuno. O grande estômago fica fora do circuito dos alimentos e, unido ao duodeno, é ligado também ao jejuno, mais ou menos um metro abaixo da sutura do pequeno estômago que restou. Esta cirurgia, que é a mais utilizada no mundo todo, apresenta em geral excelentes resultados e, em mãos hábeis, é bastante segura. A perda de peso é de cerca de 40% do peso original e, quase sempre, o indivíduo permanece com o mesmo peso (com pequenas variações) pelo resto da vida.

 

Professor Livre Docente da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Chefe do Grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Clínicas da FMUSP,   Médico do Grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do Serviço de Endocrinologia e Metabologia e doPronto-socorro Médico do Serviço de Clínica Médica de Emergência do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Endereço para correspondência

Alfredo Halpern

Rua Romilda Margarida Gabriel, 81 — CEP 04530-090 — Itaim-Bibi — São Paulo
 
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